terça-feira, 29 de outubro de 2019

Insuflador de ar para espaço confinado



Algumas atividades da indústria exigem que trabalhadores atuem
em espaços confinados que, justamente por não serem apropriados
para uma atividade laboral constante, oferecem uma série de
riscos para o empregado. Embora o Ministério do Trabalho não
apresente dados concretos, há registros de acidentes nesses locais
por uma série de motivos, como a deficiência de oxigênio, vapores
tóxicos e inflamáveis, soterramentos, alagamentos, explosões,
choques elétricos, dentre outros.

Nos últimos anos, com maior investimento em tecnologia e a
modernização de processos, empresas passaram a investir no
desenvolvimento de equipamentos modernos por dois motivos
principais. Em primeiro lugar não só para se adequarem a uma
série de normas estabelecidas pelos órgãos fiscalizadores, mas
também para garantir opções mais seguras para esse tipo de
trabalho.

No texto de hoje vamos falar um pouco mais sobre o que é o
insuflador de ar portátil, uma das principais ferramentas para
garantir a ventilação forçada em espaços confinados e suas
principais vantagens.

O que é insuflador de ar para espaço confinado?

Antes de entendermos o que é insuflador de ar e para que ele
serve, precisamos definir o conceito de espaço confinado no
trabalho. De acordo com a legislação trabalhista, esses locais
são quaisquer “áreas ou ambientes não projetados para
ocupação humana contínua, que possua meios limitados de
entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente”. Mas
como garantir segurança desses profissionais se a circulação
de ar é deficiente?

Como a ventilação natural nem sempre garante condições
mínimas de segurança nesses locais — já que é impossível
controlar velocidade, vazão e direção do ar —, a ventilação
mecânica é apontada como o método mais eficiente.

É aí que entra o insuflador de ar para espaço confinado,
que é um equipamento projetado para movimentar grande
volume de ar, garantindo a segurança de quem for operar
no local. Hoje em dia são duas as normas que regulamentam
esse tipo de serviço — a NBR 16.577 e a NR 33 — e ambas
exigem que, para qualquer tipo de trabalho realizado em
ambiente confinado, é necessário garantir a circulação de ar.

4 vantagens do uso do exaustor insuflador de ar.

1 - Controlar atmosferas tóxicas, asfixiantes e inflamáveis;
2 - Diminuição do tempo de limpeza da atmosfera no interior
do espaço confinado, como também ajudar no conforto térmico;
3 - Modelos axiais dupla função – Insuflação e Exaustão de
ar – com dutos flexíveis permitem movimentar e canalizar
grandes volumes de ar com superior pressão;
4 - São leves, portáteis e fazem o trabalho de grandes
exaustores de ar fixos.

Para quais tipos de trabalho eles são indicados?

Os espaços confinados podem ser galerias, tubulações,
tanques, silos ou digestores e são mais comumente
encontrados em atividades na indústria petroquímica,
agroindústria, óleo e gás, dentre outras. Muitas vezes é
preciso que um trabalhador entre nesses locais para realizar
a limpeza ou troca de peças, por exemplo.

Esses ambientes se caracterizam por terem entradas e saídas
total ou parcialmente fechadas, por não serem desenvolvidos
para garantir a circulação contínua de uma pessoa (mas grande
o suficiente para permitir que ela entre nele) e por apresentarem
riscos aos profissionais tanto por causa da própria construção
quanto por conta dos materiais e substâncias presentes ali dentro.

A NR33 estabelece uma série de medidas para reduzir os
riscos de acidente em espaços confinados, como:

- Limitar o acessos às áreas confinadas para evitar a entrada
de pessoas não autorizadas no local;
- Avaliar e controlar os riscos físicos, químicos, biológicos,
ergonômicos e mecânicos;
- Verificar condições de oxigenação no local antes da entrada
do trabalhador e durante sua permanência;
- Monitorar constantemente a atmosfera, utilizando a ventilação
mecânica do local, a fim de garantir a manutenção das
condições atmosféricas  adequadas (principalmente de
oxigenação) , tanto para o acesso quanto para a permanência
no espaço confinado.

Como funciona o insuflador de ar para espaço confinado?

Antes de uma empresa realizar um determinado trabalho em
espaço confinado e garantir a ventilação ou exaustão do local
é preciso realizar a Análise Preliminar de Risco (APR) e obter
a Permissão de Entrada e Trabalho (PET), apresentando as
características do serviço a ser realizado.

Dependendo dos detalhes de acesso ao espaço confinado, a
empresa pode optar por colocar o equipamento direto na
entrada ou por meio da instalação de um duto, ligando a área
confinada a um local externo.

Fique atento ao risco de explosão

Os estudos preliminares sobre as características do espaço
confinado podem indicar, por exemplo, se a atmosfera no local
oferece risco de explosão. Em espaços confinados (sobretudo
nas indústrias química, naval e petroquímica) não é incomum a
existência de gases tóxicos ou inflamáveis, além de outras
substâncias que podem agravar o risco de um incêndio ou
explosão.

Tendo isso em conta, é importante que você garanta que o
insuflador de ar seja certificado por órgãos de controle,
como o InMetro, para equipamentos à prova de explosão.
Verifique o rótulo do equipamento e documentação. E essa
certificação deve valer para todos os componentes do
insuflador de ar (certificação de unidade inteira), como a
carcaça, motor, interruptor, caixa de junção, prensa cabo,
chave liga desliga, hélice, cabos, plug de força, duto, dentre
outros. Ou seja todo o caminho elétrico está em conformidade,
diferente dos equipamentos que possuem somente o motor
elétrico certificado.

O que significa insuflador exaustor de ar?

Qualquer atividade realizada em espaço confinado necessita
de um equipamento que garanta ventilação mecânica — seja
ele um insuflador, seja um exaustor de ar. Mas qual a diferença
entre eles?

O insuflador é um equipamento que capta o ar de um ambiente
externo (aberto) e o direciona para o espaço confinado por
meio de um duto ou uma mangueira, garantindo nível aceitável
de oxigenação no local. Já o exaustor faz o caminho inverso e
capta o ar contaminado na área confinada e o descarrega no
ambiente externo. No caso da exaustão, como o ambiente
precisa de ar limpo, é necessário que haja alguma outra entrada
de ar no local, o que é dispensável no caso do insuflador.

A NBR 16.577, além de determinar que haja ventilação mecânica
em espaço confinado, também indica outros aspectos que devem
ser levados em conta na hora de escolher o equipamento que vai
garantir nível seguro de oxigenação aos trabalhadores.

Conforme a norma, é importante considerar geometria, volume,
número e tamanho das aberturas do espaço confinado, eventuais
interferências estruturais, além de poluentes que, porventura,
possam existir no local. Nesse caso, um estudo específico deve
indicar as propriedades, temperatura, pressão, vazão e ponto de
geração desse poluente para evitar explosões.

Outro aspecto que deve ser levado em conta no momento da
aquisição de um insuflador ou exaustor de ar é a fonte de energia
que vai alimentá-lo. Essa fonte pode ser pneumática, elétrica ou
à água e isso varia conforme o ambiente em que o serviço será
realizado. Embora a energia elétrica seja a mais utilizada, em
alguns locais mais remotos, onde essa fonte não existe ou é
muito difícil, é necessário que os equipamentos funcionem à
base de combustível ou mesmo ligados a uma bateria.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Espaço Confinado, o que é ?



Se você trabalha na indústria, certamente já foi alertado sobre os
cuidados necessários ao realizar ou gerenciar atividades dentro
de determinadas instalações. Espaços confinados são ambientes
muito comuns dentro da área industrial e, devido a características
específicas, requerem bastante cuidado por parte de todos os
trabalhadores que interajam direta ou indiretamente com esses
locais a fim de prevenir acidentes. Mas, afinal, você sabe
exatamente o que é espaço confinado?

O que é espaço confinado? Conceito e normas relacionadas.

A norma NBR 16577 (Espaço confinado: prevenção de acidentes,
procedimentos e medidas de proteção) determina requisitos para
identificar e caracterizar espaços confinados, como também para
implantar um sistema de gestão a fim de garantir a segurança dos
trabalhadores que estão em contato com esses locais. Segundo
esta norma, espaços confinados são áreas não projetadas para
ocupação humana contínua, que possuem condições limitadas de
acesso e de saída, cuja ventilação é ruim ou inexistente e ainda
exista deficiência ou alto nível de oxigênio. A NBR 16577, junto
da Norma Regulamentadora 33 (Segurança e Saúde nos
Trabalhos em Espaços Confinados), são importantes fontes de
informação em relação ao tema discutido neste texto. É
fundamental que se siga as recomendações presentes nessas
diretrizes quando se trata de trabalho em ambientes confinados.
Visite os sites da ABNT e do TST para saber mais sobre essas
normas.

Exemplos de espaços confinados.

São exemplos de espaços confinados: tanques, silos, vasos de
pressão, colunas, casa de bombas, fornos, asas de avião, dutos
de ventilação, trincheiras, reatores, diques, contêineres, vagões,
valas e porões.

Esses ambientes podem ser encontrados em setores não só
industriais, mas também de serviços, tais como: indústria
siderúrgica, indústria de petróleo, serviço de eletricidade, serviços
de telefonia, construção civil, entre outros. Apesar de estarem
presentes em diversos segmentos, as atividades realizadas
nesses ambientes podem ser, basicamente, resumidas em:

- execução de manutenção, limpeza e reparos;
- inspeção ou instalação de equipamentos;
- operações de salvamento e resgate de acidentados.

Procedimentos para trabalho em espaço confinado.

A equipe de trabalho de um espaço confinado pode ser dividida
em responsável técnico, supervisor de entrada, vigia e
trabalhadores autorizados. Cada um deles cumpri funções
específicas do procedimento de trabalho dentro desses ambientes.
Entenda as funções principais de cada um:

- Responsável Técnico: indicado por escrito pelo empregador, é
o profissional habilitado para identificar os espaços e estruturar
medidas técnicas de prevenção — administrativas, pessoal, de
emergência e resgate;

- Supervisor de Entrada: responsável pela emissão,
implementação, encerramento e cancelamento da PET
(Permissão de Entrada e Trabalho) — formulário com procedimentos
a serem feitos antes da entrada do trabalhador;

- Vigia: monitorar e proteger os trabalhadores autorizados,
observando a execução do trabalho e adotando os procedimentos
de emergência caso ocorra alguma anomalia durante a atividade;

- Trabalhador Autorizado: cumprir os procedimentos e
orientações recebidos nos treinamentos a fim de garantir que o
trabalho seja bem-feito e com segurança.

O procedimento de trabalho dentro do espaço confinado varia
de acordo com a empresa e as configurações do local. Esse
procedimento deve ser elaborado pelo responsável técnico e
conter aplicações e objetivos claros, referências bibliográficas,
responsabilidades e competências dos trabalhadores selecionados,
medidas para gerenciamento da PET, metodologia para análise
de riscos e especificação dos equipamentos e dispositivos para
controle dos riscos. É importante ressaltar que os procedimentos
de trabalho e a permissão de entrada e trabalho precisam ser
revistos periodicamente a fim de verificar sua atualização e
aplicação. Caso necessário, devem ser adotadas medidas de
controle adicionais ou modificações nas existentes. Todos os
envolvidos nos trabalhos em espaços confinados devem ter
autorização para interromper todo e qualquer tipo de trabalho
ao constatar risco grave e iminente, abandonando o local
imediatamente.

Acidentes em espaço confinado.

Devido às circunstâncias em que se encontram os espaços
confinados — dificuldades de movimentação, falta de ventilação
e abertura de entrada e saída restrita — os riscos de acidentes
de trabalho tornam-se bastante altos. Os riscos de atuar nesse
meio são:

- Riscos Físicos: ruído, calor e umidade são encontrados com
frequência nesses ambientes;

- Riscos Químicos: a presença de contaminantes e deficiência
de oxigênio provocam asfixia, intoxicação e até a morte em
casos mais graves;

- Riscos Biológicos: ratos, morcegos e insetos têm acesso
fácil a espaços confinados e são vetores de doenças contagiosas
como hospedeiros intermediários. É um ambiente propício a
micro-organismos patogênicos;

- Riscos Ergonômicos: como o acesso e a movimentação são
limitados, ambientes confinados podem exigir posturas
desconfortáveis ou esforços excessivos;

- Riscos Mecânicos: refere-se a trabalho em altura, inundação,
impacto de ferramentas e materiais, erosões, desabamentos.

Para minimizar os riscos de acidentes, é essencial que
empregadores e empregados atendam às diretrizes presentes
tanto na NBR 16577 quanto na NR 33. Entre os principais
cuidados destacam-se: descontaminação dos locais de trabalho,
instalação de equipamentos de ventilação (confira o post sobre
ventilação em espaços confinados), sinalização adequada,
isolamento da área, uso de equipamentos de proteção individual
e manutenção de limpeza. Cabe salientar que é dever do
empregador garantir que todos os trabalhadores que exercerem
atividades em espaços confinados tenham acessos aos
equipamentos obrigatórios que devem estar listados na PET.

Treinamento em espaços confinados.

De acordo com a NR 33, trabalhadores autorizados, vigias e
supervisores de entrada devem receber treinamento periódico a
cada 12 meses. A carga horária e o conteúdo programático do
curso variam com a atuação do empregado. Como o conteúdo
programático abrange diversas áreas de conhecimento, a
capacitação deve ser ministrada por equipes multidisciplinares,
composta por profissionais de Engenharia de Segurança e
Medicina do Trabalho, bombeiros, entre outros. A seleção dos
instrutores ou empresa de treinamento é uma incumbência do
responsável técnico do espaço em questão. Deve-se levar em
conta o currículo do profissional a partir do conteúdo programático
que ele ministrará. Terminando o treinamento, um certificado com
os devidos dados técnicos deve ser emitido. Ainda é importante
ressaltar que é dever do empregador desenvolver e implantar os
programas de capacitação.