terça-feira, 30 de julho de 2019

O que é análise preliminar de risco.


Conhecer os riscos presentes no ambiente de trabalho é essencial para identificar as medidas adequadas para mitigá-los, prevenir acidentes e, consequentemente, garantir a segurança e o bem-estar dos colaboradores. Por isso, é indispensável a realização da análise preliminar de risco (APR), principalmente quando a empresa está iniciando um novo projeto ou processo.

Além disso, vale lembrar que as normas regulamentadoras estabelecem a obrigatoriedade de realização da APR em algumas situações, como nos trabalhos em altura, em espaços confinados, em instalações e serviços de eletricidade, na construção civil, nos trabalhos com inflamáveis, equipamentos e máquinas etc.

Desse modo, é fundamental que o profissional de segurança do trabalho conheça essa análise e saiba realizá-la. Por isso, preparamos este post para você. Continue a leitura e descubra como deve ser feita a APR!

Entenda o que é análise preliminar de risco

A APR pode ser definida como um estudo prévio e detalhado sobre as etapas de cada operação ou processo. Sua finalidade é identificar os riscos presentes no ambiente de trabalho e as medidas a serem tomadas para neutralizá-los ou reduzi-los e, consequentemente, prevenir a ocorrência de acidentes.

A realização desse tipo de estudo teve origem no Departamento de Defesa dos Estados Unidos, onde foi desenvolvido com a finalidade de estabelecer medidas de segurança para o armazenamento, manipulação e transporte de mísseis militares.

Como essas atividades apresentam riscos elevados, foi necessária a realização de análises minuciosas para identificar medidas que pudessem prevenir acidentes, aumentar a segurança dos militares e reduzir perdas financeiras decorrentes de eventuais danos aos mísseis.

Conheça os objetivos da análise preliminar de risco

Como você viu, a APR tem como principal objetivo a identificação dos riscos existentes no local de trabalho e, a partir deles, as medidas mais adequadas para a correção de eventuais falhas e para a prevenção de acidentes.

Justamente por isso, deve ser realizada sempre que se inicia um novo projeto ou quando há a implementação de um novo processo. Diante disso, é possível dizer que a APR também objetiva:

- A sistematização e a organização das etapas das atividades laborais;
- A antecipação de problemas;
- O estabelecimento de procedimentos de segurança;
- O fornecimento de orientações aos colaboradores acerca dos riscos a que estão submetidos e dos procedimentos de segurança adotados pela instituição;
- A definição dos responsáveis pelas ações de segurança;
- A eliminação ou redução de falhas mecânicas e humanas.

Além de sua função eminentemente preventiva, a análise preliminar de risco é utilizada na elaboração do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA).

A APR também contribui para a identificação e escolha dos equipamentos de proteção individual (EPIs) mais adequados à realização de cada atividade laboral.

Veja como realizar a análise preliminar de risco

Apesar de não existir um modelo predefinido de APR para todas as atividades, é imprescindível que o profissional responsável pela elaboração do estudo observe algumas etapas. Confira quais são!

Reunir os colaboradores envolvidos na realização da tarefa

É fundamental que os líderes e demais colaboradores envolvidos na realização do projeto ou processo participem ativamente da confecção da APR. Afinal, ninguém melhor que eles para descrever o ambiente de trabalho e a forma como as operações são realizadas no dia a dia.

Por isso, a primeira medida a ser adotada pelo profissional responsável pela APR (engenheiro ou técnico de segurança do trabalho) é reunir todos os funcionários do setor para recolher o máximo de informações possíveis sobre a atividade laboral e as condições do local em que é desenvolvida.

Conhecer o ambiente de trabalho

Apesar de a opinião dos colaboradores ser muito importante, é indispensável que o profissional responsável pela APR visite o local de trabalho. Na ocasião, ele deve observar não só o ambiente, mas a forma como os trabalhadores realizam suas atividades para identificar eventuais falhas e os riscos existentes.

Fazer uma listagem dos riscos

Depois de conversar com os trabalhadores e visitar o local em que as atividades são realizadas, o profissional de segurança do trabalho precisa listar e classificar todos os riscos existentes no ambiente. Além disso, devem ser identificadas as causas de acidentes e os fatores de vulnerabilidade.

Identificar quem está exposto ao risco

Após a listagem dos riscos, é hora de descobrir quais são os trabalhadores, terceiros  e bens que estão submetidos às ameaças identificadas.

Fazer uma estimativa dos danos

Nessa etapa, depois de colher todos os dados, o técnico ou engenheiro de segurança do trabalho responsável pelo estudo deve fazer uma estimativa das consequências e dos danos de eventual ocorrência do perigo.

Identificar e implementar medidas adequadas para o controle de riscos

Outro ponto crucial da análise preliminar de risco é determinar quais ações de controle devem ser adotadas para mitigar riscos e prevenir acidentes no ambiente de trabalho.

Nessa etapa, além de identificar as medidas de proteção de cunho coletivo para a neutralização ou redução de riscos, o profissional de segurança do trabalho deve averiguar se os equipamentos de proteção individual fornecidos pela empresa são adequados ao desempenho das atividades e se estão sendo utilizados de maneira correta pelos colaboradores.

Ademais, é essencial delinear as ações a serem adotadas nos casos em que houver a ocorrência do risco. Essa medidas são importantes para a mitigação dos danos, ou seja, para que eventuais acidentes não tomem grandes proporções.

Cabe ressaltar, ainda, que nessa etapa deve ser atribuída a um funcionário de cada setor a responsabilidade de executar as ações preventivas e corretivas.

Como você pôde perceber, a APR é uma importante ferramenta de segurança do trabalho. Afinal, por meio dela os profissionais identificam os riscos presentes no ambiente em que as atividades laborais são desenvolvidas, bem como as medidas necessárias para mitigá-los e prevenir a ocorrência de acidentes.

Vale lembrar que este tipo de análise pode ser feita também por empresas com experiência e capacidade técnica neste tipo de consultoria em segurança do trabalho, como, por exemplo, a Conect. Portanto, para que as medidas de controle sejam efetivas, é fundamental que a análise preliminar de risco seja confeccionada por profissionais experientes de acordo com o perfil da empresa.


terça-feira, 23 de julho de 2019

8 Atitudes empreendedoras na área de segurança do trabalho.


Alcançar o sucesso na vida profissional requer investimento, dedicação e muito trabalho. Atualmente, o mercado busca pessoas empreendedoras, capazes de identificar problemas e desenvolver soluções para eles, visualizar oportunidades e apostar recursos em algo novo que trará resultados positivos. Na área de segurança do trabalho não é diferente!

Empreender significa visualizar as oportunidades de crescimento e investir no que pode aprimorar a execução das atividades. Um empreendedor não é aquele que tem um dom especial e inato, mas quem investe no desenvolvimento de habilidades e adota posicionamentos compatíveis com os seus desejos e necessidades da empresa.

1. Capacite-se continuamente

Certamente, o conhecimento é um dos maiores aliados dos profissionais em segurança do trabalho. É indispensável conhecer as Normas Regulamentadoras (NRs), os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), as características das atividades desempenhadas pelos colaboradores da empresa e muitas outras questões.

Para isso, nada mais eficiente do que investir em cursos e treinamentos. Dessa maneira, é possível enriquecer o currículo, ficar por dentro das novidades do setor, se atualizar quanto à legislação e, claro, garantir o melhor posicionamento no mercado de trabalho. Além disso, a capacitação contínua favorece o desenvolvimento de habilidades necessárias à resolução dos problemas.

2. Defina objetivos e metas

Muitas vezes, a direção é mais importante que a velocidade. Um empreendedor na área de segurança do trabalho deve saber exatamente quais são os seus objetivos. Ou seja, quais resultados ele deseja alcançar. Por exemplo, engajar os colaboradores da empresa em treinamentos de segurança do trabalho? Reduzir o número de acidentes?

Nesses contextos, suas metas se referem ao tempo e aos meios que serão utilizados para que todos os funcionários sejam treinados e os acidentes reduzidos. Portanto, a meta é um conjunto de pequenos objetivos, um guia de como alcançar o que se deseja. Uma boa maneira de definir metas é seguir os seguintes passos:

- Determine os objetivos;
- Planeje as metas;
- Elabore um indicador para controlar os resultados;
- Execute;
- Avalie e revise.

Vale lembrar que o tempo é um fator importante no estabelecimento de metas. Tenha sempre em vista o que você pretende alcançar a curto, médio e longo prazo. Dessa maneira, você será capaz de definir as melhores estratégias e acompanhar a progressão dos resultados.

3. Oriente-se para os resultados

A definição de metas e objetivos é muito importante, mas para conseguir se destacar na área de segurança do trabalho é preciso ir além. Um profissional empreendedor deve adotar um posicionamento compatível com a orientação para resultados. Isso significa que é necessário desenvolver a capacidade de manter o foco nos objetivos e trabalhar para concretizá-los sem fazer desvios durante o percurso.

4. Reconheça as deficiências nos processos

Para iniciar qualquer tipo de atitude empreendedora, é imprescindível analisar todos os processos de trabalho a fim identificar quais pontos não funcionam corretamente, prejudicam o processo de produção ou comprometem a integridade física dos funcionários.

Na área de segurança do trabalho, alguns dos principais questionamentos são:

- Os funcionários estão usando adequadamente os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)?
- Os EPIs estão dentro dos parâmetros de qualidade?
a manutenção do maquinário está em dia?
- Novos investimentos são necessários para garantir a segurança dos trabalhadores ou aprimorar a produção?
- Essas e outras perguntas devem fazer parte da rotina do profissional de segurança do trabalho que deseja empreender.

5. Aumente a eficiência dos processos

Geralmente, os atalhos não são uma boa opção. Para aumentar a eficiência dos processos, o empreendedor precisa desenvolver suas atividades da forma certa, ou seja, padronizar. Portanto, seguir as normas técnicas, psicológicas e médicas é uma das maneiras de aumentar a eficiência dos processos e reduzir os acidentes.

Utilizar a tecnologia, orientar os colaboradores sobre o uso dos EPIs, delimitar procedimentos de segurança, verificar os maquinários e as instalações da empresa e promover campanhas de conscientização são alguns dos modos de diminuir os riscos e garantir a segurança do trabalhador.

6. Lembre-se do networking

O networking é uma atitude empreendedora central. Para alavancar a carreira, é fundamental construir continuamente relacionamentos pessoais e redes de negócio. Ter relacionamentos sólidos facilita a obtenção de informações importantes, o desenvolvimento da carreira e o acesso a oportunidades.

Quanto mais contatos de qualidade, mais possibilidades de reconhecimento no mercado. Uma boa estratégia para ampliar o network é frequentar palestras, simpósios, cursos e demais eventos. Dessa forma, será possível unir a aquisição de conhecimento ao estreitamento de vínculos com outros profissionais.

7. Crie um ambiente empreendedor

Pessoas empreendedoras são capazes de transformar o que está à sua volta e criar um ambiente mais propício ao desenvolvimento de todos. A atitude empreendedora pode ser compartilhada e estimulada nos diferentes setores da empresa. Assim, é possível demonstrar para os outros colaboradores a necessidade de investimentos em determinadas áreas e os benefícios que a implementação de mudanças pode trazer.

Para criar uma cultura empreendedora na corporação, o ideal é buscar o equilíbrio entre a satisfação dos profissionais com a situação atual da empresa e a habilidade de correr riscos bem calculados para aumentar o desempenho individual e coletivo.

8. Aprenda com os erros

Os fracassos acontecerão e você precisará lidar com eles. Um bom empreendedor assume as suas responsabilidades e faz dos erros uma oportunidade de aprendizagem. Reconhecer as contingências que impediram o sucesso da operação é fundamental para elaborar estratégias, aplicar novas técnicas e buscar os treinamentos necessários à resolução dos problemas.

Aprender com os erros também é perceber o que acontece ao seu redor. Geralmente, um olhar atento e uma escuta apurada são suficientes para não cometer os mesmos equívocos que outras pessoas. Além disso, o empreendedor competente sabe que a persistência é indispensável ao sucesso.

Certamente, essas atitudes ajudarão a crescer profissionalmente e a superar os desafios da área de segurança do trabalho. Vale lembrar que, para desenvolver um posicionamento empreendedor, é necessário permanecer aberto às novidades, ter coragem e responsabilidade para assumir os riscos e buscar as melhores soluções.

terça-feira, 16 de julho de 2019

5 acidentes de trabalho



Adotar medidas preventivas de acidentes de trabalho é muito importante para preservar a integridade física de todos os empregados expostos a riscos nesses ambientes. Afinal de contas, a segurança deve ser sempre a primeira preocupação de uma empresa.

Infelizmente acidentes acontecem, mas os riscos diminuem bastante se a corporação realiza boas práticas para preveni-los, utilizando os equipamentos corretos e oferecendo treinamentos com a periodicidade adequada.

1. Quedas

Quedas figuram entre os acidentes de trabalho mais comuns. Elas podem acontecer em qualquer ramo, e o risco cresce quando há empregados trabalhando em ambientes localizados acima de dois metros do solo.

As causas são diversas, variando de problemas com o próprio empregado, que trabalha distraído ou tem um mal-estar enquanto desempenha suas atividades, a até mesmo falta de uso de EPIs ou condições inadequadas para o labor.

Existem algumas formas de minimizar os riscos. Nesse sentido, é fundamental que a empresa preste bastante atenção para proteger seus colaboradores, tendo em visto que quedas podem causar danos graves e inclusive a morte.

É importante manter todo o espaço de trabalho organizado e limpo, sem líquidos no chão ou superfícies escorregadias, além de ter todas as vias de acesso e circulação desobstruídas para evitar tropeços e outros contratempos.

A iluminação também é crucial para que o empregado consiga enxergar todos os perigos, contando sempre que possível com o auxílio de corrimão e antiderrapantes. Por fim, não deixe de conscientizar os funcionários e oferecer EPI e treinamentos próprios para essa área.

2. Lesões por esforço repetitivo

Lesões por esforço repetitivo são doenças ocupacionais que resultam em vários prejuízos à integridade física dos empregados, bem como em afastamentos temporários e até definitivos. Elas costumam ser causadas pela natureza da atividade desempenhada pelo funcionário ou pela forma que ele a realiza.

Geralmente, lesões por esforço aparecem com mais frequência em locais nos quais há condições ruins de trabalho, como falta de análise ergonômica do posto de trabalho, carga excessiva e movimentos repetidos sem descanso do empregado. Isso ocasiona sintomas como formigamento de membros, cansaço e dores agudas.

Para prevenir esse problema é primordial incentivar as pausas para descanso durante a jornada de trabalho, principalmente para empregados que realizam os mesmos movimentos durante todo o dia.

Também é preciso promover exames médicos periódicos em todos os colaboradores que estejam expostos a esses riscos, comunicando-os de modo imediato acerca dos resultados para que se tome as providências cabíveis, seja um tratamento específico ou mesmo mudanças de rotina.

3. Queimaduras

As queimaduras são acidentes de trabalho bem comuns. Ao contrário do que muita gente pensa, elas não consistem em meros resultados da exposição ao fogo ou a altas temperaturas.

Produtos químicos também podem gerar queimaduras, em especial se forem manuseados de forma incorreta. A ausência de um recipiente adequado para armazená-los nos locais de trabalho é outro motivo que ajuda a explicar a ocorrência desse tipo de acidente.

A melhor forma de minimizar os riscos, portanto, é a prevenção: utilizar Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC), como exaustores, por exemplo, para renovar o ar possivelmente contaminado e ter um colaborador capacitado para realizar a rotina segura de manuseio desses produtos.

Os EPIs também são fundamentais para impedir queimaduras, principalmente os trajes especiais à prova de fogo, máscaras, luvas, aventais, óculos de proteção e outros equipamentos capazes de reduzir os riscos a que os empregados ficam expostos.

Vale lembrar que todos os funcionários em situação de perigo precisam receber os treinamentos adequados de acordo com cada atividade, com destaque ao que diz respeito às medidas de segurança quando há algum vazamento de produto químico ou incêndios.

4. Uso incorreto de equipamentos e máquinas

As máquinas estão presentes nos mais diversos ramos, desde as indústrias até o comércio. Apesar de trazerem várias comodidades, muitas delas podem apresentar riscos aos empregados caso não sejam manuseadas com cuidado e de acordo com as especificações.

Acidentes com máquinas têm potencial de causar graves problemas para a saúde e integridade física dos trabalhadores. Alguns, inclusive, podem ser até fatais, portanto todo cuidado é pouco no momento de utilizá-las.

A primeira prática com o objetivo de reduzir os riscos de acidentes dessa natureza é assegurar que nenhum trabalhador sem treinamento opere máquinas pois todas possuem algum grau de perigo na sua utilização, mesmo que já tenha experiência ou demonstre que sabe como elas funcionam.

Cada maquinário tem especificidades, e as normas de segurança devem ser respeitadas para que não haja acidentes. A empresa, então, deve garantir o treinamento dos operadores para cada ferramenta diferente, assegurando que o método de uso esteja correto e padronizado.

Também é importante desenvolver uma boa sinalização dentro da empresa em relação às máquinas, além de ter as vias de transporte demarcadas segundo as Normas Regulamentadoras para impedir atropelamentos e quedas.

Empregados precisam usar sempre os EPIs específicos para cada tipo de máquina manuseada. A corporação, por sua vez, deve treinar os funcionários sobre como agir em caso de emergência, explicando o que pode ser feito e o que evitar.

5. Choques elétricos

Acidentes com choque elétrico podem se passar em várias áreas. Entretanto, as mais comuns e perigosas são as que utilizam mão de obra com contato direto com sistemas de eletricidade, como manutenção predial, construção civil e outras do gênero.

A Norma Regulamentadora 10 do Ministério do Trabalho traz várias regras para instalações e serviços em eletricidade. Informações a respeito de prevenção, cuidados e equipamentos necessários figuram como boa fonte de segurança.

Para evitar imprevistos, é preciso utilizar EPIs durante toda a jornada de trabalho, principalmente luvas de proteção, botas, roupas próprias e óculos especiais. Isso serve para que o trabalhador não entre em contato direto com correntes elétricas capazes de causar acidentes.

Toda a instalação elétrica exige checagem constante, sobretudo em relação aos fios, substituindo tudo que apresente risco de choques e descargas. Trata-se do tipo de ação que deve ser feita por pessoal especializado e não por funcionários sem treinamento.



quarta-feira, 10 de julho de 2019

A importância de atualizar as normas regulamentadoras.


A segurança laboral não é regida apenas pela CLT (Consolidação das Leis do
Trabalho), é vital também saber as normas regulamentadoras atualizadas para
evitar acidentes e preservar a saúde e integridade física do profissional. Ainda,
a legislação veda a alegação de desconhecimento da lei como motivo para o
seu não cumprimento.

As NRs complementam as disposições superiores instituindo obrigações mais
específicas sobre o que deve ser feito a fim de proteger o funcionário no
desempenho de suas atividades. Elas são frequentemente alteradas para se
adaptarem às evoluções técnicas e tecnológicas, mais uma razão pela qual
vale a pena estar a par das novidades.

Quer saber mais sobre o tema? Confira neste post por que se inteirar sobre
as NRs é essencial para o bom funcionamento de sua empresa.

Proteção aos colaboradores e à empresa

A Constituição Federal assegura os valores sociais do trabalho e a livre
iniciativa como fundamentos do Estado brasileiro logo em seu primeiro artigo.
As NRs os promovem e, além de tutelarem os interesses dos funcionários,
orientam a conduta organizacional para que ela não seja arbitrária.

A atividade empresarial visa o lucro, mas também tem obrigações econômicas,
políticas e sociais, sendo vedada a submissão do empregado a condições
inseguras e indignificantes.

O pessoal é o principal ativo de qualquer empreendimento, ele quem produz
e oferta os serviços. Logo, cuidar da equipe é cuidar da própria empresa,
garantindo o bom andamento das operações e da rotina laboral, motivos pelos
quais vale a pena investir no conhecimento das normas regulamentadoras
atualizadas.

Atualmente no Brasil existem 37 NRs sobre os mais diversos assuntos, como
construção (NR 18), instalações e serviços em eletricidade (NR 10),
máquinas e equipamentos (NR 12), explosivos (NR 19), proteção contra
incêndios (NR 23), sinalização de segurança (NR 26), trabalho em espaços
confinados (NR 33) e em altura (NR 35).

Além dessas, existem outras apontando para o funcionamento da CIPA
(Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), PCMSO (Programas de
Controle Médico de Saúde Ocupacional) e PPRA (Programas de Prevenção
de Riscos Ambientais) — respectivamente, as NRs 5, 7 e 9.

Veremos nos itens a seguir o quanto a empresa prospera ao investir na
prevenção de acidentes com uma política séria e rigorosa. Por ora, vale
destacar que o conhecimento das normas regulamentadoras atualizadas
não cabe somente ao técnico em segurança do trabalho, mas a todos os
colaboradores, do chão de fábrica ao alto escalão.

Quanto mais pessoas consolidarem essa cultura prevencionista, menores serão
os danos sofridos pela organização e sua equipe. Promova tal entendimento
até ele ser inerente às atividades laborais rotineiramente realizadas, ou seja,
até os funcionários adotarem boas práticas por hábito e não por mero
cumprimento da lei.

Fortalecimento da governança corporativa

O sucesso de uma empresa não é medido apenas pelos seus resultados,
produtos desenvolvidos ou serviços ofertados, mas também pela forma com
que ela conduz suas operações e seus colaboradores.

Existe uma série de diretrizes e políticas estabelecidas pela direção da
companhia para a realização das tarefas na linha de produção e comportamento
do profissional no ambiente de trabalho, conjunto denominado de governança
corporativa.

Tais determinações precisam ser repassadas à equipe, fortalecendo o canal
de comunicação e as relações interpessoais entre as mais variadas hierarquias,
no nível estratégico, intermediário e operacional.

O empresário promove a segurança do trabalho ao investir no conhecimento
de normas regulamentadoras atualizadas, atestando ao funcionário a importância
de estar a par da legislação sobre o assunto para ser um profissional melhor
e mais engajado.

Essa reciclagem é uma ótima oportunidade para transmitir à equipe a
governança corporativa, ou seja, quais prioridades são esperadas dos
colaboradores, a conduta ética, missão, visão e valores que regem a empresa.

Segundo pesquisa da Deloitte, 84% das organizações investem no fortalecimento
dessas diretrizes, crenças e políticas para melhorar a qualidade das informações
e 71%, a fim de profissionalizar a gestão — ainda veremos adiante o quanto a
cultura de prevenção a acidentes também influencia a reputação da companhia
no mercado.

O conhecimento das normas regulamentadoras atualizadas promove a governança
corporativa, porque afeta diretamente as práticas internas adotadas pelos
colaboradores e a tomada de decisão, principalmente a dos ocupantes de cargos
de liderança.

Melhora do clima organizacional

Quando a direção transmite a preocupação com a prevenção a acidentes laborais
para a equipe, as cartas são postas na mesa e as regras do jogo ficam claras. Os
funcionários são um time e o estabelecimento de prioridades nesse sentido gera
engajamento, comprometimento e união.

A segurança laboral também faz o colaborador se sentir valorizado, pois denota
o cuidado da empresa com ele, motivo que favorece sua satisfação com o
ambiente de trabalho, ou seja, o clima organizacional.

Destinar orçamento para cursos e treinamentos sobre as normas
regulamentadoras atualizadas vai além da obrigação prevista em lei: é investimento
na formação profissional da equipe, favorecendo tanto a companhia quanto
o funcionário.

Além disso, tais eventos servem para fomentar a integração: os mais variados
departamentos interagem, a comunicação entre os setores melhora e
colaboradores de diferentes áreas podem trocar experiências e conhecimentos
por causa da necessidade de atualização dos conceitos e procedimentos contidos
nas NRs.

O senso cooperativo desenvolvido por uma cultura preventiva dessa categoria
ainda minimiza os riscos de haver acidentes, porque a fiscalização começa a ser
feita entre os próprios membros da equipe.

Assim, em uma construtora, por exemplo, os operários passam a chamar a atenção
uns dos outros para o uso dos equipamentos de proteção individual, como capacetes,
máscaras, cintos paraquedista, protetores auditivos e luvas.

Há de ressaltar ainda: essa conduta não exime a empresa da responsabilidade de
fornecer o material de segurança, fazer sua manutenção e verificar o uso. No
entanto, já é uma forma de mitigar riscos.

Aumento da produtividade

Já vimos como a necessidade de reciclagem quanto à legislação vigente propaga
a governança corporativa e melhora o clima organizacional. Agora, vamos além
para verificar os impactos da medida na capacidade produtiva da companhia.

O gestor tem a oportunidade de repassar as diretrizes, políticas e crenças da
empresa, quando os cursos sobre normas regulamentadoras atualizadas são
ofertados, certo? Pois bem, ele ainda pode aproveitar o evento para integrar a equipe.

Consequentemente, um grupo unido e estrategicamente alinhado tende a produzir
mais em quantidade e qualidade, porque tem conhecimento técnico dos processos,
do ordenamento jurídico, da cultura empresarial e motivação para dar o seu melhor.

A interdisciplinaridade e aliança estimuladas pela necessidade de atualização ainda
podem dar origem a novos projetos, trazendo inovações para a rotina de trabalho
na organização. Além disso, trabalhadores saudáveis têm alta produtividade,
sobretudo quando amparados pelos melhores equipamentos de proteção do mercado.

Vários indicadores de performance, os famosos KPIs (Key Performance Indicators),
podem ser escolhidos a fim de verificar o quanto é vantajoso investir para que sua
equipe conheça as normas regulamentadoras e suas respectivas atualizações.

Você pode, por exemplo, calcular o ROI em T&D (treinamento e desenvolvimento)
no assunto, checar o índice de turnover (quantos colaboradores deixam a empresa
em determinado espaço de tempo) e o absenteísmo (quanto os funcionários têm
faltado ao trabalho).

Ainda, KPIs de ordem econômica, como o total das vendas efetuadas e faturamento,
podem ser eleitos para checar o quanto a atualização sobre as normas
regulamentadoras foi eficaz — visto que elas tendem a promover a cultura de
prevenção a acidentes e fortalecer a segurança no trabalho.

Prevenção contra penalidades

A SSST (Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho), ligada ao Ministério do
Trabalho e Emprego (MTE), tem a incumbência de supervisionar as providências
obrigatórias relacionadas à SSO (Segurança e Saúde Ocupacional) em todo território
nacional.

Os fiscais são frequentemente enviados às empresas para verificar se elas estão
cumprindo as disposições em ordenamento jurídico sobre a proteção aos
colaboradores. A rigorosidade da averiguação envolve um extenso rol de
documentos a serem apresentados, como:

CNAE;
- Lista de cargos no organograma e suas respectivas atribuições;
- Livro de inspeção do MTE;
- Alvará de funcionamento;
- Laudo técnico das instalações elétricas;
- Certificados ambientais;
- Inventário das máquinas e dos equipamentos;
- Papéis com autorização da brigada de incêndio.

Além desses itens, é necessário apresentar o PPRA, documento com levantamento de
todos os riscos em ambiente laboral, e certificar a efetividade do PCMSO — programa
para prevenir e controlar diagnósticos sobre a saúde do empregado — e a regularidade
da CIPA nas empresas onde se faz imprescindível sua instalação, conforme a lei.

Tantas exigências evidenciam a importância do técnico e engenheiro de segurança do
trabalho e o motivo pelo qual as organizações investem em auditorias internas na área.
Conhecer as normas regulamentadoras e suas atualizações ainda evita as penalidades
previstas na NR 28, texto específico sobre o assunto.

Assim, caso seja constatado que uma empresa desrespeita o artigo 6.2 da NR 6, por
não haver certificado de aprovação do MTE no EPI fornecido ao empregador, a
companhia está sujeita à multa. Na mesma sanção incorre a organização cujos
funcionários utilizam equipamentos fora do prazo de validade (artigo 6.9.1 da NR 6).

Segundo o item 28.3 da NR 28, a multa varia conforme o número de funcionários do
empreendimento e pode ser equivalente a até 6.304 UFIRs (unidades fiscais de
referência), valor em torno de R$ 21.550,00 atualmente.

É preciso ressaltar: os fiscais podem conceder aos empregadores um período de
no máximo 60 dias para atendimento das irregularidades apuradas. No entanto,
caso se verifique “situação de grave e iminente risco à saúde e/ou integridade
física do trabalhador”, o agente público deve comunicar à autoridade pública
competente imediatamente.

Nesse caso, a empresa, setor ou máquina em questão será imediatamente interditada,
assim como no caso de uma obra deverá ser embargada! Além da multa e das outras
penalidades já mencionadas, o trâmite do processo em via administrativa não exime a
apuração da conduta ilícita na Justiça.

Redução de gastos

Ocorreram 4,26 milhões de acidentes laborais no Brasil entre 2012 e 2018, segundo
pesquisa do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, do Ministério
Público do Trabalho (MPT).

Tais eventos motivaram despesa da Previdência Social na ordem de R$ 28,81 bilhões
e geraram mais de 335 milhões de afastamentos nas empresas durante esse mesmo
período.

O gestor sabe o quanto pesa no orçamento arcar com gastos médicos, licenças e
substituição do funcionário acidentado, mesmo nos casos de cobertura securitária.
Tão somente a contratação de novo profissional ou atribuição do cargo a outro já
alocado na área demanda o pagamento de hora extra e despesas com a capacitação,
por exemplo.

O absenteísmo, a desmotivação da equipe, o enfraquecimento da governança corporativa
e da cultura interna influenciam o desempenho do profissional e, consequentemente, o
bom andamento das operações.

A organização perde em capacidade produtiva, porque leva um tempo para a equipe
se readequar na ausência de quem foi afastado por acidente laboral. Ao investir no
conhecimento sobre normas regulamentadoras atualizadas, a direção minimiza o risco
de ocorrências dessa categoria.

Ainda, são poupados recursos que seriam alocados para o pagamento de multas e
honorários advocatícios por causa de processos administrativos e judiciais, devido
às irregularidades — as reclamatórias trabalhistas já são velhas conhecidas do ramo
corporativo: todos sabem o quanto essas demandas podem ser morosas.

Todos esses argumentos corroboram o primeiro ponto sobre as normas
regulamentadoras atualizadas serem eficientes tanto ao colaborador quanto à empresa.
Investir em conhecimento no assunto é garantia de uma boa gestão financeira, setor
considerado o coração de toda a estrutura organizacional.

Importância para a imagem corporativa

Uma empresa que segue as determinações das NRs também se beneficia com
recompensas subjetivas, como uma melhora em sua imagem institucional, associada
à percepção do mercado (consumidores, concorrentes e parceiros comerciais) sobre ela,
ou seja, a sua reputação.

A opinião tanto do público interno, os colaboradores, quanto externo a respeito de uma
organização é imprescindível para direcionar o posicionamento estratégico da marca
no segmento. As empresas que agem em conformidade com a lei transmitem confiança
ao cliente e têm mais chances de atrair bons profissionais.

Se a equipe sente que está trabalhando em um ambiente confortável, tecnicamente
seguro e saudável, ela tem uma excelente percepção da empresa e repassará
externamente tal aspecto. Além disso, trabalhadores mais protegidos têm menos
motivos para processar uma organização.